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O ‘carro voador’ que a fabricante brasileira Embraer está desenvolvendo em conjunto com o aplicativo de carona Uber será equipado com um sistema de direção autônoma, que dispensa piloto. A informação foi revelada pelas duas empresas durante uma palestra no South by Southwest (SXSW), maior festival de tecnologia, música e interatividade do mundo, que acontece em Austin (EUA), até o próximo domingo (18). Embora a aeronave esteja pronta para isso, as duas empresas afirmaram que o serviço de carona com ‘carro voador’ será lançado com piloto, quando começar a ser testado em 2020, nas cidades de Dallas (EUA) e Dubai (Emirados Árabes Unidos).

“Assim como estamos fazendo com o carro sem motorista, vamos fazer com as aeronaves”, diz o diretor de engenharia para aviação do Uber, Mark Moore. “Vamos voar com os aviões por milhões de horas com um piloto para garantir que o software é seguro para transportar as pessoas sem supervisão.”

“Precisaremos de bilhões de horas de operação para provar que as aeronaves funcionam (sem piloto)”, afirmou Antonio Campello, presidente executivo da Embraer X, centro de inovação da fabricante brasileira localizado na Flórida, nos Estados Unidos. “Vamos chegar a isso gradualmente.” As duas empresas pretendem começar a operação comercial do Uber Elevate, serviço de transporte da gigante americana com ‘carros voadores’, a partir do final de 2023 — a princípio, o Uber havia divulgado o ano de 2026 como meta para início da oferta comercial do serviço.

Acordo. A parceria entre Uber e Embraer começou em abril do ano passado, alguns meses depois de o Uber anunciar que planejava incluir aeronaves em seu serviço. Na época, o Uber estimou que, no longo prazo, uma viagem do gênero entre São Paulo e Campinas poderia custar US$ 24 (cerca de R$ 75), valor inferior ao cobrado pela empresa para realizar o mesmo deslocamento de carro.

O projeto, porém, deverá enfrentar entraves regulatórios e técnicos, como a duração da bateria das aeronaves. “As baterias estão perto de alcançar a autonomia que precisamos para operar o serviço”, disse Moore. As duas empresas dizem que vão começar os testes em Dallas, por conta da proximidade com autoridades reguladoras, para definir as regras de operação do serviço.

Além da Embraer, a companhia americana fechou parceria com outras empresas – Aurora Flight Sciences (americana de drones e helicópteros), Pipistrel Aircraft (fabricante de aviões de pequeno porte da Eslovênia), Mooney (também de aviões) e Bell Helicopter (de helicópteros militares) – para desenvolver a nova modalidade do serviço. A brasileira, entretanto, é a de maior porte.

O Uber também vem realizando testes de carros autônomos nos Estados Unidos. As pesquisas nesse segmento, no entanto, são feitas por engenheiros da própria empresa.

Pesquisa. De acordo com Campello, os últimos meses tem sido de intensa pesquisa para a Embraer. Os engenheiros da empresa conduziram pesquisas com o público, para entender o que eles acham desse novo tipo de transporte. “Descobrimos que existe uma grande demanda adormecida”, disse o executivo. A empresa também mandou engenheiros para o Vale do Silício, onde eles puderam fazer uma imersão na cultura de inovação e também ficar mais próximos do Uber, para trabalhar no projeto.

“Estamos colaborando com o Uber, falando com startups e potenciais parceiros”, contou Campello, sobre o período que passou no Vale do Silício. “Não é só uma tendência que um dia vai acontecer, é algo inevitável.”

A partir da próxima semana, a Embraer vai abrir um espaço no site oficial para que outras pessoas e empresas possam enviar ideias e projetos para ajudar no projeto

 

Com Estadâo

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