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O Facebook está sob fogo cerrado devido à confusão envolvendo o escândalo da Cambridge Analytica e seus desdobramentos. Justo. Não é, porém, a única empresa que coleta, armazena e processa dados para viabilizar propaganda segmentada a você. O Google também faz isso — e provavelmente sabe tanto da sua vida quanto o Facebook.

O Google tem uma série de serviços além da busca. Mapas, a plataforma de vídeos líder de mercado (YouTube), o e-mail mais usado do mundo (Gmail), o navegador web mais popular do planeta (Chrome) e até o sistema operacional usado por mais de 90% dos brasileiros (Android).

Até 2012, esses dados ficavam em “silos”, separados uns dos outros. Uma revisão da política de privacidade do Google mudou isso. Ela aglutinou e deu ao Google o poder de cruzar os dados de todos esses domínios para conhecê-lo melhor e, claro, segmentar anúncios.

Você, mesmo que não tenha a mínima ideia disso, aceitou.

Se por um lado tal mudança facilitou a vida do Google, do lado de cá pouco mudou. Configurações e bases de dados seguem separadas, o que dificulta um pouco o trabalho de revisá-las e pedir ao Google para que pare de registrá-las.

Na lista abaixo, estão a maioria (não tenho certeza se todos) os locais em que o Google informa os dados seus que ele coletou e mantém guardados:

  • A “linha do tempo” mostra todos os lugares onde você já esteve. O nível de precisão é absurdo. Existem duas maneiras de impedir o Google de usar isso: não usar Android e, no iOS, não instalar apps do Google; ou desativando esta opção.
  • Histórico de busca, com todas as consultas que você já fez no Google e no YouTube. Existe uma opção para apagar todo esse histórico (selecione “Todo o período”) e outra para pedir ao Google para que interrompa esse monitoramento.
  • Personalização de anúncios, com “tópicos que você gosta” e os que você “não gosta”. Também dá para desativar.
  • Apps de terceiros e do próprio Google com acesso às informações da sua conta. É algo similar à fonte do escândalo do Facebook/Cambridge Analytica. Apps de terceiros podem se conectar à sua conta no Google e, com isso, acessar algumas informações de lá. Na maioria dos casos, é um uso legítimo e correto, mas é preciso ficar atento para não permitir que apps maliciosos se conectem.
  • Histórico de visualizações no YouTube e de pesquisas no YouTube. Cada vídeo a que você assistiu no YouTube está ali. Eles ajudam a afinar o algoritmo de recomendação de vídeos — e o de anúncios também, claro. Nessas telas, há um botão “Pausar o histórico de pesquisas/exibição” que, em tese, deve interromper esse registro. Há controvérsias.
  • Fotos. O Google Fotos é bastante cômodo: ele salva suas fotos automaticamente e oferece espaço ilimitado. As fotos, porém, são analisadas e contêm informações valiosas: com quem você anda, que lugares você frequenta (elas têm coordenadas de GPS) e, graças a algoritmos de reconhecimento de imagens, o Google consegue extrair informações textuais (de uma placa em uma foto, por exemplo) e outros insights que, sinceramente, arrisco dizer são inimagináveis.
  • A mesma coisa com o Android, o Chrome, basicamente qualquer produto Google vinculado à sua conta.

Você pode solicitar ao Google um pacotão com todos os seus dados que ele mantém salvos. Nesta página.

Se você se importa com privacidade, limitar a dependência de empresas cujo modelo de negócio depende de publicidade e da criação de perfis de usuários. Existem alternativas.

Com Gazeta do Povo

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