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Quem der uma percorrida pelos canais da transposição de águas do São francisco sentirá o coração apertado. Lixo, esgotos e placas soltas denunciam o descaso do poder público com a obra. Ao ser questionado sobre o assunto, o professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Francisco Sarmento, resumiu o problema com uma única sentença: obra inacabada. E é isso mesmo o que temos visto desde que o sistema começou a operar. Houve o envio da água redentora para a Paraíba, principalmente Campina Grande? Isso é inegável. Mas também é inegável que isso teve um preço.

Em relação às placas soltas, o professor revela que a pressa para transportar a água fez com que alguns pontos da obra fossem deixados em segundo plano. A conclusão do sistema de drenagem é um deles. Sem as canaletas da margem, em certos trechos, há risco de erosão e, consequentemente, do enfraquecimento da estrutura. Isso foi agravado com as chuvas torrenciais registradas nas áreas por onde passam os canais. Por isso, são detectados problemas como assoreamento e placas soltando. “Acho que será necessário também analisar a qualidade do material usado na obra”, disse, lembrando os riscos que isso pode acarretar.

As fotos contidas na matéria são do trecho que fica entre Sertânia, em Pernambuco, e Monteiro, na Paraíba. Na cidade paraibana, vale ressaltar, o problema tem sido o esgoto escorrendo direto para o canal da transposição. Os ministérios públicos Federal e Estadual cobram a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta entre a prefeitura e a Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa). O município, alegando falta de recursos, deixou de pagar as contas de energia de uma das estações elevatórias. Resultado: o esgoto está escorrendo direto para o canal.

A Cagepa, no entanto, faz muitas exigências para receber a obra e, consequentemente, assumir o pagamento da fatura. Na semana passada, em reunião entre os órgãos, o MPF deu prazo de 15 dias para que a companhia retorne com a minuta para assinar a TAC. O termo não foi assinado, segundo a companhia, porque uma portaria do governo do Estado exige que qualquer compromisso só seja assinado após análise da Procuradoria do Estado. A Cagepa atualmente cobra pela coleta e destinação do esgoto na cidade. A procuradora da República, Janaina Andrade, diz se que a operação das estações elevatórias não for assumida pela empresa, haverá demanda judicial para que o recurso seja repassado para o município.

Com Resumo PB

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