Image barracas-696x392

Com 35 anos de existência, o Maior São João do Mundo, nasceu a partir dos “barraqueiros”, que cultivam a tradição da festa e comercializam no Parque do Povo, as chamadas comidas típicas da região. Protagonistas da festa, os comerciantes reclamam do tratamento dispensado pela empresa Aliança que desde o ano passado é a responsável pela administração do evento. Eles denunciam uma série de “erros” que tem afetado os comerciantes, e, inevitavelmente, prejudicado a festa.

O presidente da Associação dos Barraqueiros do Parque do Povo, Lucinei Cavalcante, classificou como absurda e abusiva a política de preços praticada pela empresa Aliança, no depósito de bebidas e insumos que ela mantém dentro do Parque do Povo, como forma de mostrar aos patrocinadores que o evento está garantindo lucratividade às marcas.

Lucinei garantiu que o segmento vai acionar a Justiça para adotar medidas contra a Aliança, que, segundo ele, estaria desrespeitando o Código de Defesa do Consumidor.

– Nosso cardápio depende dos preços praticados no depósito que compramos no Parque do Povo. Recebemos a lista do material apenas na quarta-feira à noite, mesmo com a festa sendo adiada em uma semana, e mesmo assim com os preços abusivos, mais alto do que se fosse para comprar no comércio da cidade, desrespeitando o Código de Defesa do Consumidor. Eles estão nos forçando a cobrar mais caro ou tentando diminuir drasticamente a nossa margem de lucro, que não cobre os valores que colocamos na festa. Vamos acionar o MP Procon para tomar providências, e se não tomar, vamos entrar com ação judicial contra esse abuso praticado no Parque do Povo – disse, revoltado.

Lucinei ressaltou que como a Aliança é uma distribuidora, tem como praticar um preço melhor, mas, mesmo assim, pratica um preço acima do valor de mercado.

– Nós compramos mais caro do que o distribuidor exclusivo da festa, como se fôssemos consumidores finais comprando nos mercados da cidade. Na medida que o distribuidor me cobra como se eu fosse um consumidor final e não me dá o direito de onde eu quero comprar, a gente vê maculado o direito que eu tenho de fazer um preço justo ao consumidor final – disse.

Lucinei reafirmou que os preços praticados pela Aliança vão deixar uma marca negativa da festa entre os turistas.

– Estamos unidos contra essa irresponsabilidade e contra a exploração que está tendo com os preços abusivos no Parque do Povo, o que vai refletir no consumo e no turista, que vai sair falando mal da festa, dizendo que foi extorquido porque não temos como repassar um preço melhor – criticou.

Uma comerciante que está há 30 anos no Parque do Povo, mas pediu para não se identificar, também reclamou da forma como a Aliança está tratando os “comerciantes”, tentando inclusive, “jogar” a opinião pública contra eles. Ela lembrou que os preços mais abusivos são praticados pelos grandes empresários. No camorote arretado por exemplo, uma caipifruta é vendida por R$ 25 reais.

“O que está acontecendo é um absurdo. Infelizmente, a festa que começou popular, hoje está privatizada, e só beneficia os grandes empresários” lamentou.

O diretor da Aliança Comunicação, responsável por gerir O Maior São João do Mundo, Luís Otávio, rebateu as declarações do presidente do Sindicato da Associação dos Barraqueiros.

Otávio destacou que tem um profundo respeito pelos barraqueiros, mas que também respeita a verdade dos fatos, que deve ser esclarecida devidamente.

Ele frisou que houve uma reunião com os barraqueiros e o Procon Municipal e que foi comprovado pelo órgão regulador que a Aliança não estava cobrando preços exorbitantes.

– Montamos um depósito no Parque do Povo para facilitar a logística de compra de todos os comerciantes. Se o depósito não existisse aqui dentro, a pessoa teria que comprar fora, teria que transportar, e iria ter mais custos. Hoje tivemos uma reunião com o Procon e com os barraqueiros, e o Procon atestou que não há nenhum abuso de preço por parte da Aliança. A transparência deve ser plena. Nós compramos, por exemplo, a cerveja ao patrocinador por R$ 1,98 e vendemos ao barraqueiro por R$ 2,08, ou seja, temos um lucro de 10 centavos. Esse mesmo barraqueiro que compra a R$ 2,08 vende no preço que ele quiser, por R$ 3, R$ 4, R$ 5 – explanou.

A primeira festa junina no local conhecido em seus primórdios como, Palhoção do Forró, aconteceu em 1983 no “Coqueiro de Zé Rodrigues”, armado no Açude Novo, com apresentações de quadrilhas, casamento matuto e desfile de carroças.

O Parque do Povo construído pelo poeta Ronaldo Cunha Lima foi inaugurado em 1986 com destaque para a Pirâmide do Forró batizada como Forródromo.

 

Com PB Agora