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O diretor do Hospital de Emergência e Trauma Dom Luiz Gonzaga Fernandes, Geraldo Medeiros, falou, em entrevista à Rádio Campina FM, nesta terça-feira, 19, sobre os 42 casos, até o momento, de ferimentos por objeto assemelhado a agulha registrados durante o Maior São João do Mundo no Parque do Povo, em Campina Grande.

O médico criticou o posicionamento da secretária de Saúde, Luzia Pinto, que, durante entrevista coletiva na última sexta-feira, 15, disse que o Trauma estaria se negando a divulgar os dados dos pacientes que procuraram o hospital estadual, e questionou o porquê das vítimas não terem procurado os postos de saúde da cidade e nem as unidades móveis dentro do Parque do Povo, para informar sobre possíveis agulhadas.

Geraldo lamentou que o caso, que seria de saúde e segurança pública, estivesse se tornando político. Ele contou que para entregar os prontuários dos pacientes, é preciso que o setor jurídico autorize, juntamente com o Conselho Regional de Medicina, tendo em vista as vítimas não querer ser taxadas de possíveis portadoras de algum vírus.

– É um assunto eminentemente de saúde pública e policial, mas que se tornou um questionamento político. Isso denota o grau de preocupação da saúde pública municipal para com a população.  Foi questionado por que as vítimas estavam procurando o Trauma. É porque é claro para a população que o Trauma é referência e que atende, mesmo o perfil de doentes que não deveriam ir para lá.  O Trauma realizou o protocolo de saúde pública, que é de tomar o coquetel e realizar a imunização contra hepatite B nessas vítimas e realizou os exames para detectar a agressão – disse.

O diretor ainda contou que as lesões praticadas por objetos perfurantes existem sim e que os médicos da unidade de saúde realizaram os exames necessários. Segundo ele, até o momento estão sendo contabilizados 42 casos.

– Ontem à noite houve dois casos, um foi afastado e outro rotulado como lesão puntiforme, se assemelhando a punção por agulha. É preciso entender também que, num aglomerado você ser atingido por um objeto puntiforme não tem como se identificar o autor, sente apenas um pequeno desconforto e isso apenas com exame físico é que se identifica se houve ou não lesão – disse.

Geraldo ainda criticou o fato de a Secretaria de Saúde ter se posicionado diante do caso apenas 12 dias após o primeiro registro. De acordo com ele, semanalmente o Trauma envia relatórios para a secretaria, e somente agora o caso foi questionado pela saúde municipal.

– A preocupação da secretaria só ocorreu após 11, 12 dias após o primeiro evento, e de uma maneira distorcida, querendo insinuar que os médicos do Trauma estão manipulando e direcionando os eventos. Isso é inaceitável. Primeiro, porque as vítimas estão chegando e relatando que foram agredidas no Parque do Povo.

Durante a entrevista coletiva na última sexta-feira, 15, a secretária de Saúde, Luzia Pinto, criticou o fato de o Hospital de Trauma não ter disponibilizado as fichas das vítimas que procuraram a unidade para relatar casos de possíveis agulhadas no Parque do Povo.

Ela disse que tomou conhecimento pela imprensa e que o Trauma não relatou os casos à secretaria.

– Não tivemos nenhuma notificação do Trauma para que pudéssemos agir juntos e verificar se tínhamos medicamentos suficientes. Tão logo a imprensa divulgou, pedimos as fichas das notificações e nos foi negado, informando que como a Polícia já tinha as fichas, não teríamos acesso – disse.

Luzia ressaltou que o Trauma começou a atender os usuários e mandar para o SAE (Serviço de Assistência Especializada), segundo ela, apenas casos de encaminhamentos do dia 11 e 12.

Ela questionou “por que só agora as vítimas compareceram ao serviço, após 72h do ocorrido?

– Há dados divergentes que precisam ser averiguados – finalizou.

Com Paraíba Online