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É comum que cidades com um bom índice de urbanização desenvolvam projetos visando a estimulação de plantio de árvores para consequentemente aumentar a vegetação. Campina Grande, no agreste da Paraíba, por exemplo, conta com um programa municipal chamado ‘Minha Árvore’, que teve início em 2014 e já contemplou a cidade com mais de 32 mil árvores, através de plantio e doação de mudas pela população.

Quatro anos depois, o programa trouxe um diferencial. Na semana do meio ambiente, foi lançado um aplicativo e um game digital desenvolvido pelo Atelier de Computação e Cultura (Compcult) da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), após parceria com a Secretaria de Serviços Urbanos e Meio Ambiente (Sesuma), da prefeitura municipal, que está à frente do programa.

Com o aplicativo ‘Minha Árvore’, é possível que a comunidade solicite o plantio de mudas através de telefone e de pesquisas. Os bairros e comunidades são escolhidos pela organização do programa e após a seleção se iniciam aulas de educação ambiental aos alunos dessas localidades, que informam o tipo de planta que querem plantar nas residências e nas escolas.

Ao mesmo tempo, a equipe de cadastradores consulta os moradores do bairro contemplado para saber se há interesse em plantar nas residências. Após o término do cadastramento, as plantações são iniciadas em todos os bairros da cidade, conforme a coordenadora de meio ambiente da Sesuma, Denise de Sena.

“Os que querem que se plante uma árvore em sua residência podem acessar o programa Minha Árvore no Play Store gratuitamente e nós iremos plantar. Posteriormente, ficará registrado no nosso relatório de dados como também ficarão ‘georeferenciados’. É mais uma inovação que esse programa está contemplando em Campina Grande”, destaca a coordenadora.

Ela ainda ressaltou a importância do aplicativo. “Nós chegamos à conclusão de que havia bastante viabilidade desse aplicativo para inovar nosso projeto. Uma vez que ele está almejando grandes áreas, muitas pessoas estão solicitando e ele está crescendo. Nós tínhamos a necessidade de informatizar esse projeto e inovar, então foi uma conquista”.

De acordo com o professor responsável pelo desenvolvimento do projeto, Marcelo Barros, o aplicativo atinge muitas crianças e adolescentes espalhadas pelas escolas da cidade. O número de usuários é mais ou menos de umas 2.000 pessoas desde o lançamento. Ele ainda falou da importância do projeto com relação ao envolvimento da equipe na UFCG.

“Para o aplicativo, foram envolvidos uns 20 alunos de Computação, Letras, Música, Design… É um projeto de educação multidisciplinar, mas a gente tem também uns dez professores engajados”.

A nossa equipe também conversou com o biólogo Arnaldo Bezerra, da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), para saber qual a situação atual de arborização em Campina Grande. Segundo ele, a cidade está em déficit com o meio ambiente.

“Campina Grande tem um número de 120 mil mudas plantadas. Um dado da Organização das Nações Unidas (ONU) sugere que para cada habitante duas árvores deveriam ser plantadas, então nós temos um déficit de 680 mil árvores. Esse número indica que o que temos não é suficiente”.

As plantas mais solicitadas pela população são Ipês, plantas ornamentais e, a partir de setembro, serão iniciados plantios de frutíferas. O projeto pretende tornar a cidade uma das mais arborizadas do país, sendo referência para outros lugares, além dos bairros que foram beneficiados com as mudas, escolas e logradores públicos.

A coordenadora Denise de Sena ressaltou as expectativas para a continuidade do desenvolvimento do programa. “A meta é de 8 a 9 mil mudas plantadas e doadas por ano e o nosso programa contempla nove objetivos do desenvolvimento sustentável, então é uma inovação e, futuramente, ele servirá como uma prática replicável em mais cidades do mundo”.

 

Com Portal Correio