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De passagem por Campina Grande no final de semana, quando exaltou as qualidades do pré-candidato do PSB à sua sucessão, João Azevedo, o governador Ricardo Coutinho não poupou de críticas o senador Cássio Cunha Lima, do PSDB, acusando-o de “conspirar” contra os interesses do povo da Paraíba em investidas junto ao poder central em Brasília para prejudicar liberação de recursos e de investimentos. Para o gestor socialista, Cássio – de quem já foi aliado – “age de forma mesquinha, aferrado ao jogo da conquista do poder pelo poder, sem grandeza nem espírito público”.

Ricardo advertiu que o eleitorado paraibano está atento ao comportamento dos seus representantes no Congresso Nacional e preparado para dar uma resposta aos que “laboram contra o Estado”. O governador mencionou que há exceções e disse que, “felizmente, há parlamentares que compreendem a conjuntura de dificuldades e procuram trabalhar para beneficiar a Paraíba”. Este é o caso, entre outros, do deputado federal Veneziano Vital do Rêgo, ex-MDB, atualmente filiado ao PSB, pré-candidato ao Senado em outubro.

O governador enfatizou que a consolidação da candidatura de João Azevedo ao governo junto ao eleitorado é um processo que está sendo construído no dia a dia, com o engajamento das forças políticas que, a seu ver, estão sinceramente comprometidas com o interesse público e com a perspectiva de continuidade dos avanços que teriam sido introduzidos nos seus dois mandatos em setores vitais, apesar de atos de retaliação do governo Temer como represália ao apoio que tem sido manifestado por ele (Ricardo) ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O governador mantém o tom dos pronunciamentos em que denuncia como injusta a prisão de Lula, alertando que por trás da condenação do ex-presidente há uma articulação para afastar de cena “um líder que ameaça os que ambicionam o poder”.

Os ataques reiterados de Ricardo a Cássio Cunha Lima, na opinião de analistas políticos, confirmam que está em curso a estratégia do gestor socialista para impedir, de qualquer forma, a recondução do tucano ao Senado. A própria atração de Veneziano, adversário histórico dos Cunha Lima, para o PSB, com a condição de ser candidato ao Senado, faria parte dessa estratégia para dizimar os espaços de Cássio dentro do reduto preferencial dele que é Campina, o segundo colégio eleitoral do Estado. A respeito da ofensiva do governador, Cássio tem dito que ela é movida por “sentimento de inveja” de Ricardo em relação a ele, mas assevera não temer o que chama de orquestração, por ter consciência de que tem procurado fazer o melhor pela Paraíba e, assim, corresponder à confiança da opinião pública.

Ricardo Coutinho optou por permanecer no exercício do governo até o final do mandato, desistindo, assim, de concorrer a uma vaga ao Senado, para a qual era tido como um favorito, na avaliação de analistas políticos. O argumento de Ricardo foi o de que sua prioridade é dar continuidade a projetos que vêm sendo executados em dois períodos de gestão do PSB na Paraíba, bem como contribuir para fortalecer a pretensão do ex-secretário João Azevedo, lançado como pré-candidato ao governo e engajado, de acordo com o governador, na filosofia de ação que ele tem procurado pôr em prática à frente do Executivo.

 

Com Nonato Guedes