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O dólar fechou a quinta-feira praticamente estável ante o real, após ir acima de 3,78 reais durante o pregão de olho no mercado internacional, onde predominaram temores de recrudescimento da guerra comercial entre Estados Unidos e China.

Mas a pressão acabou perdendo força favorecida por fluxo pontual de recursos e também por alguma resiliência diante do cenário político doméstico.

O dólar recuou 0,06 por cento, a 3,7566 reais na venda, depois de ter batido a máxima de 3,7828 reais no dia e 3,7521 reais na mínima. O dólar futuro avançava cerca de 0,25 por cento no final da tarde.

“Havia expectativa de diálogo mais acelerado (entre EUA e China) e tudo indica que isso não vem acontecendo. Está sendo muito lento e de forma não equilibrada”, afirmou o analista da corretora Guide Rafael Passos ao justificar a valorização global do dólar e sua influência sobre o real.

Na véspera, o governo do presidente norte-americano, Donald Trump, confirmou que está propondo aumento tarifário a 25 por cento, ante 10 por cento, sobre 200 bilhões de dólares em bens chineses, enquanto os dois países continuam conversando para determinar se as negociações comerciais podem ser retomadas.

China pediu que os EUA voltassem à razão e já avisou que “chantagem” não vai funcionar com eles.

O dólar, assim, subia ante uma cesta de moedas, impactado também pela avaliação otimista feita na véspera pelo Federal Reserve, banco central dos EUA, sobre a economia do país, indicando que deverá subir os juros mais duas vezes neste ano.

O dólar também avançava ante moedas de países emergentes, como o peso chileno e o rand sul-africano.

Internamente, no entanto, a valorização do dólar ante o real perdeu força no final da manhã, com fluxo pontual de recursos, que acabou deixando a moeda com pequenas oscilações até o final do pregão.

“A cena política já vinha dando alguma resiliência ao mercado cambial”, destacou o gerente de câmbio da corretora Fair, Mário Battistel.

O cenário político doméstico seguiu sendo monitorado de perto pelos investidores, com a proximidade do fim do prazo para as convenções partidárias que definirão os candidatos para a corrida presidencial.

“Agradou o fato de o PSB não apoiar Ciro (Gomes, candidato do PDT à Presidência)… Suas propostas são totalmente contra o que o mercado defende”, reforçou Passos.

Na véspera, o PSB acertou com o PT de se manter neutro no primeiro turno das eleições à Presidência, o que evita uma aliança com Ciro. A decisão dos socialistas mantém a divisão da esquerda, que deve chegar ao primeiro turno com dois candidatos com alguma força, o próprio Ciro e eventual substituto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no caso da impugnação da sua candidatura pelo PT.

Além disso, o pré-candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, conquistou apoio dos partidos do blocão e terá o maior tempo na propaganda eleitoral na TV e rádio, situação que pode fazê-lo ganhar mais fôlego, já que tem aparecido com fraca intenção de votos em pesquisas. O tucano é o candidato que o mercado prefere porque o considera com perfil mais reformista.

O Banco Central brasileiro ofertou e vendeu integralmente 4,8 mil swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares, rolando 480 milhões de dólares do total que vence em setembro.

Se mantiver essa oferta diária e vendê-la até o final do mês, terá rolado o total que vence de 5,255 bilhões de dólares.