Image Haddad-696x418

O candidato a vice na chapa do ex-presidente Lula (PT), Fernando Haddad, participou de agenda política com o governador Ricardo Coutinho (PSB) em Campina Grande, nesta quarta-feira (22). Tratado por correligionários como candidato à Presidência da República, o petista buscou tirar o foco de si. Alegou que integra a defesa do ex-gestor e defende que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acate a liminar concedida pela ONU (Organização das Nações Unidas) e permita que Lula seja candidato. “Terminou hoje (quarta-feira) o prazo de impugnação. Começa o prazo da defesa e o TSE deve dar até semana que vem o veredicto. E nós esperamos que a ONU seja considerada, porque a determinação da ONU é baseada em uma convenção aprovada pelo Congresso Nacional”, disse.

Muito aplaudido por um grupo misto, formado por petistas e socialistas, Haddad rechaçou a condenação do ex-presidente por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. “Acusar um presidente que cobrava por uma palestra o que o Bio Clinton cobrava? Precisar de uma reforma de uma cozinha? O que as pessoas querem que a gente acredite? O Lula tem 50 anos de vida pública. Não nasceu ontem. O povo conhece o Lula de meio século. O homem com vinte e poucos anos era diretor de sindicato. Refundou o sindicalismo no Brasil. Recebe toda terça-feira um líder internacional. Toda vez que eu vou a Curitiba, tem um Prêmio Nobel da Paz, o ex-primeiro ministro não sei da onde, o ex-presidente não sei da onde. Cada hora tem um estadista vindo render homenagem a Lula”, disse.

Durante uma rápida entrevista com repórteres de Campina Grande, Haddad evitou se colocar como candidato a presidente. Disse que está empenhado na defesa do ex-presidente e defendeu por várias vezes a liberdade do petista e a possibilidade de ele disputar as eleições. “Se a ONU está dizendo, tem que cumprir”, disse. E acrescentou: “o povo está aí dizendo que quer votar no Lula. São 48% dos votos válidos no Ibope e 49% no Datafolha. Falta um para ele ganhar no primeiro turno.

Vai abrir mão de um nome desse?”, questionou o petista. Ele alegou ainda que está preparado para ser vice do Lula, buscando fugir da pecha de plano B. “Eu estou, inclusive, trabalhando como advogado dele, para garantir o registro dele”, acrescentou.

Críticas a Temer, Aécio e Cássio

Fernando Haddad ainda aproveitou o discurso para criticar o governo de Michel Temer (MDB), que sucedeu Dilma Rousseff (PT) após o impeachment. “Bastaram 2 anos e meio de governo Temer para que todo o país escorresse pela mão. Neste momento é que você reconhece o estadista, homem ou mulher”. Ainda falando sobre o gestor emedebista, o candidato a vice de Lula rebateu os argumentos tucanos de que Michel Temer chegou ao poder através de uma escolha petista. Neste ponto, reforçou as críticas ao senador paraibano Cássio Cunha Lima (PSDB). “Quem botou Temer lá foi o senhor Aécio Neves, foi o senhor Cássio Cunha Lima. A mosca azul que picou Michel Temer. Foram ajudados por Eduardo Cunha e Geddel Vieira Lima. Foi um complô contra a população”, criticou.

Ao falar de Cunha Lima, Haddad demonstrou ressentimento. Relatou a boa relação que ele mantinha com Lula. “Fico até mais chateado com o Cássio, porque ele era tratado como um filho (por Lula), como um correligionário. Embora sempre tenha sido do PSDB, Cássio não saía de Brasília e trazia benefícios para o povo paraibano como qualquer outro governador. E ele que deveria ser o primeiro a defender a honra do Lula, foge e vai se aliar com Aécio e com o Temer. E isso que o governador (Ricardo Coutinho) está pedindo é uma obrigação de todos nós. Se nós tivermos que voltar para Campina Grande, aqui, para fazer mais dez dias de campanha, nós vamos porque temos que derrotar os Cunha Lima”, disse Haddad, para a empolgação da militância.

Ricardo Coutinho

O confronto com Cássio, adotado no discurso de Haddad, permeou, minutos antes, o do governador Ricardo Coutinho. Ao lado do candidato governista João Azevêdo (PSB), ele acompanhou o petista na agenda de inauguração do comitê do PT em Campina Grande. No evento, Ricardo disse que o ex-presidente Lula está como massa de pão, que cresce a cada vez que você bate nela. Não esqueceu das críticas aos adversários paraibanos, principalmente do senador Cássio Cunha Lima. Criticou o que chamou de falta de ideias dos adversários. Prometeu também o combate às oligarquias, sempre se referindo à chapa comandada por Lucélio Cartaxo (PV), que tem Cássio e Daniella Ribeiro (PP) na disputa pelo Senado. A progressista, no entanto, recebeu apenas referências indiretas.

Fernando Haddad participa de intensa agenda em João Pessoa nesta quinta-feira. A passagem pela Paraíba faz parte do périplo que o petista faz pelo Brasil em defesa de Lula.

Com informações de Josusmar Barbosa, do jornaldaparaiba.com.br