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De acordo com um médico da equipe que acompanha o candidato, ouvido sob condição de anonimato, “a evolução dele não poderia estar sendo melhor”. Acrescenta ainda que “contrariando o que se espera nesse tipo de lesão, ele não desenvolveu nenhum quadro infeccioso e as culturas (usadas para identificar a presença de eventuais bactérias que possam causar infecção) são todas são negativas”.

O médico elogiou o procedimento adotado no hospital de Juiz de Fora, para onde Bolsonaro foi levado logo após ser esfaqueado. Ele lembra que candidato precisou, inicialmente, ser poli-transfundido, isto é, fez uso de várias unidades de hemoderivados (4 de hemácias, 3 de plasma e 2 de plaquetas). Segundo ele, nessas situações é comum que os pacientes tenham uma resposta inflamatória global, chamado SIRS. Este tipo de quadro pode levar, em algumas casos, a insuficiência respiratória e entubação prolongada”.

O médico ainda ressalta que, “mais uma vez contrariando todas as expectativas, Bolsonaro não desenvolveu isso” e que “os exames laboratoriais dele não poderiam estar melhores, que seus índices sanguíneos estão praticamente normais, com discreta anemia, muito melhores do que se esperava para alguém com o quadro dele”. Disse também que os índices que medem inflamação e infecção, como leucócitos e PCR, estão dentro do esperado, não demonstrando qualquer sinal infeccioso e que suas taxas de proteína (que servem para avaliar eventual quadro de desnutrição) estão normais.

O médico justifica ainda que o fato de ele persistir em jejum é o protocolo que se utiliza após qualquer cirurgia abdominal e que o organismo reage a manipulação do intestino deixando este órgão paralisado por cerca de 24 a 72 horas. “É exatamente isso que está acontecendo com ele. Nada anormal”, disse ele, lembrando que a segunda cirurgia, que muitos atribuíram a um agravamento em seu quadro de saúde, também está dentro do que se espera.

Segundo o médico, é habitual que nestas ocasiões seja necessária uma segunda abordagem, conhecida na literatura médica como “second look”, para aperfeiçoar reparos foram feitos em situação emergencial. O médico acrescenta que a terceira cirurgia, que está prevista mais adiante, também é habitual, pois destina-se a retirar a bolsa de colostomia e reconstruir a anatomia normal de Bolsonaro, que passará a ter uma vida independente, como qualquer um. Ele explica que a recuperação do candidato é “surpreendentemente boa” e que, em muito breve, sairá da unidade de tratamento intensivo (UTI) para a semi intensiva.

Bolsonaro foi esfaqueado na quinta-feira da semana passada, dia 6 de setembro, durante ato de campanha em Juiz de Fora. Na sexta-feira, foi transferido para o hospital Albert Einstein, na zona sul de São Paulo. Relembre os fatos mais importantes desde o ataque.