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Não é verdade que Manuela D’Ávila (PcdoB), candidata a vice-presidente na chapa de Fernando Haddad (PT), afirmou que o cristianismo vai desaparecer e que “nós somos mais populares do que Jesus Cristo neste momento”. A declaração que aparece em uma montagem postada no Facebook foi dada, na verdade, por John Lennon, referindo-se aos Beatles, no dia 4 de março de 1966.

Trata-se de uma das mais famosas e polêmicas declarações de Lennon. Ele fez a afirmação em uma entrevista ao jornal inglês The Evening Standard durante o auge da Beatlemania, a idolatria pela banda inglesa de rock. Responsável pela entrevista, a jornalista Maureen Cleave comentou a história em artigo publicado em 2005 no jornal The Telegraph.

Em 2010, 40 anos depois do fim dos Beatles, o L’Osservatore Romano, jornal oficial da Santa Sé, publicou uma reportagemelogiando o grupo. “Eles até chegaram a dizer que eram mais populares que Jesus. Mas, ouvindo suas músicas, tudo isso parece distante e insignificante”, disseram Giuseppe Fiorentino e Gaetano Vallini no artigo.

A polêmica afirmação fez parte de um argumento maior do beatle. O contexto original da declaração era o seguinte: “O cristianismo vai desaparecer. Não preciso argumentar isso; estou certo e isso será provado. Somos [os Beatles] mais famosos que Jesus; eu não sei o que morrerá primeiro – o rock ou o cristianismo. Jesus era legal, mas seus discípulos eram toscos e ordinários. Para mim o que estraga tudo são eles deturpando as coisas”.

O projeto Comprova procurou no Google e no YouTube por eventuais declarações de Manuela que pudessem se assemelhar à fala de Lennon e nada encontrou.

Em nota emitida nesta sexta-feira, 5 de outubro, a coligação de Haddad e Manuela desmentiu a montagem postada no Facebook. A campanha afirma que a candidata, que se declara cristã, jamais falou tal frase. “Sou cristã e defendo e pratico o mais absoluto respeito com todas as religiões”, diz Manuela.

Publicada na manhã de quinta-feira, 4 de outubro, a postagem feita por um perfil que manifesta apoio ao candidato Jair Bolsonaro (PSL) tinha 89 mil compartilhamentos até as 15h desta sexta.