O senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) foi indicado pelo líder do seu partido noSenado, Major Olímpio (SP), para comandar a terceira secretaria da Casa. O ocupante do cargo é responsável por administrar os imóveis funcionais. O posto também garante status e cargos comissionados. Flávio, filho do presidente Jair Bolsonaro, foi o candidato a senador mais votado no Rio de Janeiro na última eleição, mas depois foi atingido pela divulgação das movimentações bancárias atípicas de seu ex-assessor Fabrício Queiroz (no total de R$ 7 milhões no intervalo de três anos).

Na semana passada, o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), arquivou sem ao menos julgar o pedido de Flávio para que fosse transferida para a Corte a investigação sobre movimentações bancárias. Com isso, as apurações podem ser retomadas pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. No mesmo processo, Flávio pediu a anulação das provas obtidas até agora pelos investigadores. Marco Aurélio sequer analisou esse trecho antes de arquivar.

– Não vejo o menor problema. Ele é um senador pleno, no exercício de seu mandato – disse Olímpio.

Questionado sobre o que faz a terceira secretaria, Major Olímpio não soube responder. O regimento interno do Senado cita três atribuições ao terceiro e quarto secretários. São elas: “fazer a chamada dos senadores”, “contar os votos, em verificação de votação”, e “auxiliar o presidente (do Senado) na apuração das eleições, anotando os nomes dos votados e organizando as listas respectivas”. Um ato de 2009 da Mesa Diretora estabeleceu que o terceiro secretário é responsável também pelos imóveis do Senado.

Eleito presidente do Senado contra Renan Calheiros (MDB-AL), explorando a imagem desgastada do alagoano, Davi Alcolumbre (DEM-AP) disse que não se opõe à escolha de um nome investigado por movimentações financeiras atípicas na Mesa Diretora. Questionado sobre Flávio Bolsonaro, ele disse que a indicação é feita pela legenda.

Com O Globo