Em entrevista à rádio CBN, o vice-presidente dedicou-se a avaliar imperícia dos homens do Exército

Em sua primeira manifestação sobre a morte de um músico fuzilado por homens do Exército no Rio, no último domingo, o  vice-presidente Hamilton Mourão disse nesta sexta-feira, em entrevista à rádio CBN, que a tragédia seria maior, não fosse os “disparos péssimos” dos militares. Na avaliação do vice, “não teria sobrado ninguém” dentro do carro atingido por mais de 80 tiros caso os disparos fossem controlados e tivessem a “devida precisão”.

Para Mourão, que classificou o episódio como uma tragédia, “erros dessa natureza” ocorrem sob pressão e sob forte emoção.



— Vamos colocar a primeira coisa. Houve uma série de disparos contra o veículo da família, né? Você vê que só uma pessoa foi atingida, então foram disparos péssimos, né?, porque se fossem disparos controlados e com a devida precisão não teria sobrado ninguém dentro do veículo. Seria pior ainda a tragédia. Então isso é um fato — respondeu o vice-presidente ao ser questionado sobre o que levou ao fuzilamento e o que poderia evitar novos casos como esse. 
Diferentemente do que disse Mourão, além do músico Evaldo dos Santos Rosa, de 51 anos, outras duas pessoas foram alvejadas: seu sogro, Sérgio Gonçalves de Araújo, de 59 anos, que foi baleado nos glúteos e continua internado, e um homem que passava pela rua e tentava ajudar a família, que está hospitalizado em coma. No carro, ainda estavam a mulher da vítima, o filho de 7 anos e uma amiga. Eles se dirigiam para um chá de bebê.

Ainda no domingo, o Exército afirmou em um comunicado que ocupantes do veículo fuzilado mais de 80 vezes abriram fogo contra a guarnição militar, “que revidou a injusta agressão”.

 Na segunda-feira, divulgou uma nova nota, informando que dez militares envolvidos na morte foram presos e serão julgados pela Justiça Militar. Dois dias depois, a 1ª Auditoria Militar do Rio determinou que nove dos dez militares acusados continuem presos, preventivamente. 
— O segundo fato: sob pressão e sob forte emoção, ocorrem erros dessa natureza. Isso aí está sendo investigado, foi aberto o inquérito policial militar devido (…) Então a gente não tem a mínima dúvida que, uma vez comprovada a culpabilidade dos militares que integravam aquela patrulha, eles serão submetidos ao julgamento e condenados na forma da lei se for o caso — comentou Mourão, acrescentando que em toda situação dessa natureza o primeiro responsável é o comandante da tropa.

O Inquérito Policial Militar que apura o crime ainda está em curso. Os militares foram indiciados pelos crimes de homicídio e tentativa de homicídio, que pode levar a até 20 anos de prisão, e de inobservância de lei, regulamento ou instrução, com pena máxima de detenção de seis meses.

com O Globo