Um adolescente foi despido, chicoteado e amordaçado após ser acusado de furtar uma barra de chocolate no supermercado da rede Ricoy, na Zona Sul de São Paulo. O vídeo, de 40 segundos, que mostra cenas de tortura, tem circulado nas redes sociais nos últimos dias. Um mês depois do ocorrido, a polícia abriu um inquérito para investigar o caso e o adolescente será submetido, nesta terça-feira, a exames de corpo de delito. O Conselho Tutelar de Cidade Ademar vai solicitar assistência psicológica à vítima.

Assim que deixou a loja, a vítima diz ter sido abordada por um dos seguranças apelidado de Santos. Ambos já se conheciam, segundo a polícia. O adolescente foi levado por Santos e mais um segundo segurança, conhecido como Neto, para um cômodo utilizado como depósito de mercadorias. Lá, permaneceu por 40 minutos no local. Depois de apanhar bastante, foi liberado pelos agressores e não quis registrar boletim de ocorrência pois temia pela sua vida”, diz a polícia.

Desde os 12 anos morando na rua, o adolescente diz ter sido apreendido uma vez após invadir uma residência. Pelo crime, cumpriu medida socioeducativa na Fundação Casa, órgão da gestão Doria (PSDB) que busca ressocializar jovens em conflito com a lei. Para o advogado Ariel de Castro Alves, que também integra o Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, os agressores queriam exaltar “os atos bárbaros e cruéis com a gravação”. “Ela demonstra até um certo sadismo”, disse. A tortura é um crime hediondo e ocorre quando alguém é submetido, com emprego de violência ou grave ameaça, a intenso sofrimento físico ou mental. A lei 9455 de 1997 prevê penas de 2 a 8 anos aos acusados.
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Em cárcere privado, a vítima é despida e colocada em pé para uma sessão de tortura. As chibatadas são direcionadas às costas do jovem. Os agressores registraram toda a barbárie em vídeo gravado num aparelho celular. 

A tortura avança. Os fios de energia trançados atingem a vítima pela segunda vez, que se contorce de dor. Na terceira chibatada, um dos agressores ri e manda o adolescente se virar.

Num claro ato de zombaria, um dos agressores diz: “não quebrou nada”. Trabalho bem executado, quis dizer um dos agressores quando avisa o adolescente que nenhum osso dele foi afetado. A sessão não termina, como parecia crer a vítima. Um dos agressores ainda avisa. “Vai tomar mais uma [chibatada] para a gente não te matar.

Você vai voltar?” OUTRO LADO A rede supermercadista Ricoy informou que os seguranças foram afastados de suas funções. Eles ainda não se apresentaram à polícia. A reportagem procurou, mas não localizou a defesa dos suspeitos. O grupo Ricoy disse ainda que repugna a atitude de seus colaboradores. “Foi com indignação que tomamos conhecimento dos fatos por meio da imprensa. A empresa não coaduna com nenhum tipo de ilegalidade e colaborará com as autoridades envolvidas na apuração do caso para tomar as providências cabíveis”, segundo comunicado enviado à reportagem. A rede não informou quando a tortura ocorreu e que medida vai tomar para evitar novos casos.

Com 50 lojas, a rede Ricoy foi criada na década de 1970 e se espalhou pelos extremos das zonas leste e sul de São Paulo. Em seu informe institucional, a rede diz que o seu sucesso está amparado num tripé: empreendedorismo, gestão e seriedade.

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Com Diário de Pernambuco